Prepare-se: o universo é esférico! Ou não!

Se você acredita que existe debate real entre terraplanistas e a ciência, espera para ver como a brincadeira funciona no universo dos adultos. Eleonora Di Valentino, da Universidade de Manchester, Alessandro Melchiorri, da Universidade de Roma La Sapienza, e Joseph Silk, da Universidade de Oxford, publicaram na Nature Astronomy, em 4 de novembro, estudo que propõe um novo modelo para a cosmologia: um universo fechado, que se encerra em si mesmo e, portanto, de natureza esférica e não plana como entendemos hoje.

Você leu corretamente: a cosmologia moderna considera como válido um modelo de universo plano, onde dois feixes de luz, se emitidos ao mesmo tempo e paralelamente, percorrerão todo o espaço em linha reta, sem desvios e sempre paralelos.

A pesquisa analisa dados, coletados pelo telescópio espacial Planck, da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, em um trabalho meio que de arqueologia espacial. Para os pesquisados, os dados indicam uma probalidade de 99% do universo ser, de fato, fechado.

O título do estudo, Planck evidence for a closed Universe and a possible crisis for cosmology, sem dúvida com um tom provocativo, já prevê uma possível crise na cosmologia com o novo modelo. E não deu outra.

Natalie Wolchover tem um ótimo texto na Quanta Magazine com detalhes sobre as críticas e polêmicas provocadas pelo estudo. Nele você pode ter também mais detalhes sobre a pesquisa, já que o link para a Nature é pago, e caro.

Telas podem prejudicar desenvolvimento da linguagem em crianças

O uso abusivo de conteúdos em tela por crianças entre 3 e 5 anos de idade pode prejudicar o desenvolvimento da linguagem e da leitura.

O pesquisa Associations Between Screen-Based Media Use and Brain White Matter Integrity in Preschool-Aged Children, publicada no início do novembro na JAMA Pediatrics, não é conclusiva, suas descobertas indicam a necessidade de aprofundamento por mais estudos, mas nela os pesquisadores já detectaram que há uma associação entre o abuso desse tipo de ferramenta e prejuízos cognitivos.

O estudo acompanhou 47 crianças, de 3-5 anos, e considera a recomendação da American Academy of Pediatrics de que, nessa faixa etária, o uso de mídia em tela seja limitado. Crianças com maior acesso a iPads, celulares e afins possuiriam menor integridade da massa branca, que pode ser comparada a uma rede de comunicações cerebral. Falhas na integridade dessa estrutura prejudicam o desenvolvimento cognitivo na infância, no momento de aprendizado da linguagem.

Não é o caso dos pais entrarem em pânico, afinal a pesquisa é pequena, com apenas 47 crianças, e não é conclusiva, mas é um daqueles alertas favoráveis ao bom senso, evitar o abuso, de tudo, é sempre salutar.

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