A década em que a internet perdeu sua alegria

No finalzinho de novembro dei aqui a dica de leitura do artigo de Douglas Rushkoff em que ele questiona se nós, seres humanos, estamos ou não mesmo preparados para a internet. Agora é a vez de Clio Chang que, na série da Gen The Whiplash Decade, discorre sobre a década em que a internet perdeu sua alegria. Cito:

“Como alguém melhor descreveu para mim recentemente, a Internet mudou de um ecossistema plano – com uma infinidade de comunidades menores e confiáveis – para um vertical, com todos sendo reunidos nas mesmas poucas plataformas, tudo em busca da coleta de dados e da receita de anúncios”.

A propósito, toda a série da Gen, linkada acima, tem um bom retrato da década que se encerra.

Twitter pretende criar padrões descentralizados para redes

O Twitter sempre me pareceu com mais cara de protocolo do que de plataforma. Sabe o “http://” do seu navegador que te manda de um lado para outro na internet, acessando locais, conteúdos, serviços e funcionalidades distintas a cada clique? Poderia ser assim também com o Twitter, um “twitter://“ que abrisse maneiras de publicação e de conversação em uma enorme praça pública. Mas para isso, ele teria que ser descentralizado e parte da própria estrutura da internet, não um serviço, uma plataforma, como é hoje.

Jack Dorsey, CEO da rede, quer fazer algo semelhante e resolveu criar um grupo de pesquisa para a elaboração de um sistema “aberto e descentralizado” para redes sociais. A inspiração vem do texto Protocols, Not Platforms: A Technological Approach to Free Speech, de Mike Masnick.

A ideia é a criação de uma espécie de protocolo, compartilhado por todos, não proprietário (portanto aberto), e que permitiria que os usuários escolhessem, dentre um conjunto de serviços, a sua maneira predileta de acessar uma mesma “função”.

Pense em um email, você escolhe entre uma lista de provedores (Gmail, Hotmail, Outlook, Uol, etc.), todos capazes de trocar mensagens/informações entre si, o serviço que melhor lhe parecer. Essa é a ideia central, a ideia que deveria ter sido trabalhada desde 2004, pelo menos, no contexto das redes sociais, assim teríamos evitado nossos pesadelos atuais.

Youtube toma medidas contra conteúdo abusivo

Em anúncio publicado no dia 11, em seu blog oficial, o Youtube anunciou uma atualização em suas políticas de combate a conteúdos abusivos na plataforma.

Com base em consultas feitas entre usuários, criadores, organizações especializadas em assédio online e jornalistas, a plataforma passa a proibir ameaças veladas (antes apenas as ameaças diretas eram deletadas) e passa a ser mais restritiva a discursos de ódio por motivos raciais, de gênero e orientação sexual.

Além do conteúdo publicado por criadores e em canais, a nova política passa a ter mais atenção também para a sessão de comentários. Já era tempo.

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