Unesco: Brasil é o país que mais mata jornalistas na América do Sul

No final de outubro, citei por aqui o índice para 2019 do Committee to Protect Journalists (CPJ) de mortes de jornalistas no mundo, em que o Brasil está em nono lugar global e em segundo no continente, perdendo apenas para o México. O dado é reiterado pelo relatório da Unesco Ataques intensificados, novas defesas: desenvolvimentos na luta para proteger jornalistas e acabar com a impunidade, que agrupa as mortes de jornalistas entre 2014 e 2018, entre outras informações.

Um detalhe: no período dos quatro anos, aparecemos em sexto lugar (não nono como no relatório do CPJ) no mundo e mantemos nosso segundo lugar no continente.

O levantamento da Unesco inclui ainda outras preocupações para a profissão, como o nível de impunidade dos crimes, em 88%, o aumento de ameaças digitais e a preferência por ataques a jornalistas mulheres.

Tempos sombrios.

Freedom on the Net 2019: a crise da liberdade em redes sociais

A Freedom House, em seu relatório anual sobre liberdade de expressão em redes sociais, não tem números otimistas. Pelo nono ano consecutivo, a promessa das redes como um território para o exercício da cidadania distancia-se da realidade. Entre as principais causas apontadas pela casa estão a manipulação eleitoral das redes e a vigilância por correntes autoritárias.

O estudo é vasto, profundo, analisa 87% de todos os usuários conectados à internet no mundo, em 65 países. Entre os países com os piores declínios entre 2018 e 2019 estão e Sudão e o Cazaquistão, seguidos pelo Brasil (alguma supresa depois das eleições do ano passado?), Bangladesh e Zimbábue. Os dados completos para o Brasil não são nada animadores, como qualquer usuário de redes no país pode atestar sem muita elaboração metodológica.

Sobre digitalização de jornais e o abandono do impresso

Júlio Lubianco tem um ótimo texto no Knight Center for Journalism in the Americas sobre o abandono do impresso e a adoção do digital, como ponto exclusivo de distribuição, por alguns veículos tradicionais brasileiros. Tem desde o bom e velho Jornal do Brasil aos mais recentes, na velha briga por um modelo de negócio para o jornalismo que faça jus ao passado, nessa nova era de imaterialidade e muita concorrência.

(Visited 1 times, 1 visits today)

Leave A Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *