As 21 lições de Harari são conselhos íntimos

Quando decidi finalmente ler 21 lições para o século 21, de Yuval Noah Harari, temia que o livro fosse apenas um grande resumo dos dois anteriores, Sapiens: uma breve história da humanidade e Homo Deus, não esperava que o autor seria capaz de, em tão curto intervalo de tempo entre obras, apresentar algo de novo.

De início, 21 lições de fato resume em muito as duas obras anteriores – o que pode ser interpretado como um lance mercadológico para seduzir quem procure livros menores, mera especulação -, mas ao mesmo tempo traz uma novidade sedutora, é um livro mais íntimo, mais pessoal.

Não apenas no sentido de um escritor que se expõe mais – Harari escreve, por exemplo, um capítulo inteiro sobre o judaísmo e o estado israelense e outro sobre sua experiência com a meditação -, mas sobretudo porque as lições são intimamente dedicadas à audiência, são quase como conselhos pessoais de como poderemos lidar com os desafios do presente e do futuro. É também um livro mais divertido de ler, bem-humorado e de muitas formas menos aterrorizante.

Fico, no entanto, com uma pulguinha atrás da orelha, que Harari substitua sua perspectiva científica pela voz do guru.

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