A conclusão é da pesquisa do DataSenado divulgada nesta terça (10) e que traz outros números surpreendentes sobre o uso de internet pelos brasileiros.

O trabalho, entitulado Redes Sociais, Notícias Falsas e Privacidade de Dados na Internet, entrevistou 2.400 brasileiros entre 17 e 31 de outubro para obter um retrato de como usamos e o que pensamos sobre a internet e a privacidade de dados.

A informação do título não é a única que impressiona:

  • 98% dos brasileiros acessam internet por celular. Nós somos móveis;
  • depois do WhatsApp, a principal fonte de informação – para 50% dos brasileiros – é a televisão, 29% pontos abaixo do mensageiro instantâneo – tenho certa dificuldade em acreditar nesse dado, mas sigamos;
  • para a infelicidade de jornalistas, do pessoal de comunicação e dos hiperconectados, o Twitter é fonte de informação para apenas 7%. Se você gosta de uma treta no Twitter, saiba que ela é solenemente ignorada por 93% da população;
  • a televisão é menos importante para jovens até 29 anos e mais importante para quem tem mais de 60. Aqui a idade tem uma relação direta de proporcionalidade, quando mais anos nas costas, mais importante a televisão é;
  • já no Instagram a importância é inversamente proporcional à idade, quanto menos anos das costas, mais importante;
  • o Youtube segue a mesma lógica do Instagram, com uma particularidade importante, a plataforma é a mais importante fonte de informação para quem tem até 29 anos e, mesmo para quem tem mais de 60, tem relevância muito alta – 31% desse público afirmam se informar sempre pelo Youtube e 42% às vezes;
  • 83% acreditam que os conteúdos em redes sociais influenciam as pessoas;
  • 45% já decidiram voto com informações publicadas em redes, com leve vitória do Facebook sobre o WhatsApp, e Twitter em último lugar entre as principais fontes;
  • 55% das pessoas de direita já decidiram voto a partir de informações em redes, 9 pontos percentuais a mais do que pessoas de esquerda;
  • 62% acreditam que as informações publicadas na mídia tradicional são mais confiáveis do que aquelas publicadas em redes – aqui tenho séria dificuldade cognitiva para entender esse dado, a mídia tradicional não está em redes?

Quanto à privacidade e transparência, nós somos bastante zelosos. 52% de nós acreditam que as regras usadas pelos sites de busca e redes sociais para escolher os conteúdos exibidos para os usuários devem ser públicas; 76% acreditam que “a personalização de conteúdos na internet é uma forma de manipular a opinião das pessoas”; e 96% defendem que quem compartilha conteúdo falso deve ser punido, mas apenas 69% opinam que quem criou conteúdo falso deve ser punido – tem mais gente criando conteúdo falso por aí do que compartilhando, Deus tá vendo!

No trabalho completo, você obtém inúmeros outros números, importantes para compreendermos a percepção do brasileiros sobre o mundo digital. Ótimo trabalho do DataSenado.

O cenário nos Estados Unidos

A RAND Corporation tem uma pesquisa similar à divulgada pelo DataSenado mas para o cenário norte-americano, chamada de Profiles of News Consumption.

É um panorama bem mais amplo do trabalhado pela organização brasileira e entra em detalhes demográficos mais específicos como, por exemplo, o fato de homens e pessoas brancas acreditarem que as notícias agora estão menos confiáveis, enquanto mulheres e pessoas negras acreditarem que elas agora são mais confiáveis.

E agora para algo completamente diferente… e fofo.

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