Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer.. dormir: não mais.

Hamlet, Shakespeare

Até quando é possível suportar? No final de 2018, já então com 24 anos de jornalismo, 16 deles em redação de jornal e oito em assessorias de comunicação, com foco na comunicação pública em Brasília, o que me deu certa casca grossa para aberrações, para “as flechas com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja“, o assassinato de Moa do Katendê, de 63 anos, em um bar de Salvador, se fez prenúncio da era que começava.

Moa morreu esfaqueado ao manifestar sua oposição a Jair Bolsonaro. O primeiro de muitos mortos da bestialidade que nos tomou. Os mortos por este ar putrefacto de perversidade que nos engole por, agora, três anos e meio. A mão do assassino de Moa não foi guiada pessoalmente pelos idealizadores deste projeto, assim como eles não guiaram as armas de caça dos que mataram Dom Phillips e Bruno Pereira na solidão-imensidão de uma floresta tropical, no inferno verde, embora nosso real paraíso, que chamamos de Amazônia.

A lista desses mortos é difícil de acompanhar, já não contamos, já não contabilizamos como não contabilizamos os mais de 600 mil mortos pela Covid-19, a peste dentro da praga de um pensamento que não liga, não se importa e que agrava a dor.

Conheci Phillips antes de Bruno, não pessoalmente, seu jornalismo foi crucial para meu entendimento de como o mundo percebia o Brasil já nas eleições de 2018. De quem nós éramos sob a ótica dos outros, o que também foi crucial para nos entender sob a nossa própria ótica: para onde estávamos indo, de qual abismo nos aproximávamos. Seguia ser jornalismo por quatro anos, os quatro anos em que bichos me salvaram da depressão, da vergonha e do lobo que, dentro de mim, também é capaz de odiar. O lobo que decidi não alimentar.

Que eles estejam em paz, nós ainda não estamos.

e mais…

Big Tech must deal with disinformation or face fines, says EU – o Digital Services Act (DSA), da União Europeia, vai prever punições para plataformas que não combaterem notícias faltas e deep fakes, com medidas que procuram aumentar a transparência de conteúdos políticos. Clubhouse, Google, Meta, TikTok, Twitter e Twitch estão na lista dos 33 signatárias da proposta. Sem essas medidas, o “ar putrefacto” do texto anterior vai continuar preciso, não um exagero estilístico.

Guias das Nações Unidas para comunicadores – esse é para guardar. A ONU disponibiliza no link uma série de guias para comunicadores, com abordagens sobre trabalho infantil, gênero, raça, etnia, saúde sexual e reprodutiva das mulheres, produzidos por entidades ligadas à organização como a OIT, Acnur e ONU Mulheres.

A Quick Way to Prototype Your Data Science Projects on the Fly – o Towards Data Science tem um ótimo guia, usando o mercury, sobre como transformar um Jupyter Notebook em um aplicativo interativo, com possibilidade de compartilhamento em redes locais. O mercury é uma das inúmeras soluções para isso no mercado, mas limitado, bom para apresentações rápidas.

DALL-E mini – o Hugging Face Space tem uma versão minimalista e divertida do DALL-E, um programa que gera imagens automaticamente, a partir de descrições textuais, com base no GPT-3. A imagem abaixo é inspirada no texto de um colega jornalista, que eventualmente elogiou um filme ao compará-lo a uma mistura de “Mad Max com Pier Paolo Pasolini”. Agora sei o que talvez ele tenha imaginado.

Mad Max e Pasolini, de acordo com o DALL-E mini.
Mad Max e Pasolini, de acordo com o DALL-E mini.
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